terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O incurável


Eu fiquei esperando o tempo passar pra curar as minhas feridas, mas perdi todo esse tempo. O tempo não cura nada, mas nos livra do incurável e nos faz pensar menos na ferida que lateja. A gente mete menos o dedo e o nariz onde não deve, pra não ver jorrar sangue de onde não suporta. E o tempo continuou implacável, martelando pouco a pouco o que eu não tinha aprendido a esquecer, aceitar, vivenciar. Eu tive que aprender a ser meu agente cicatrizante, para não ter que esperar que o tempo viesse resolver o que não tinha solução. O tempo não cura nada, repito, mas nos liberta de ter que esperar a cura de onde não vem... Nos liberta da zona de conforto de achar que alguém deve curar o que não tem cura e esperar alguma coisa  de onde não tem. O tempo também nos ajuda a viver sem. E esse "sem" cabe no que você quiser... É o buraco em que tua dor couber.

(Marílya Caroline)

Sua consciência mandou um recado


Eu perdi o amor da minha vida. E sabe o porquê? Por que eu não soube me conter. A justificativa de ser homem não serviu pra ela. E como serviria? Ela é uma mulher inteligente, dessas que não se conforma com o que o machismo prega. Achei que ter o Mundo aos meus pés me faria esquecê-la, assim como eu achei que meu orgulho bobo pesasse mais do que a vontade de mostrar o quanto eu gostei e gosto dela. Fui tolo. E fui tolo com a única mulher com quem não poderia ter sido. Ela vai me esquecer, eu sei. Pisar na bola do jeito que eu fiz não requer choro, nem vela e eu não a reconheceria se ela se curvasse por isso. Perdi a mulher que me olhou como quem aceita meus defeitos e abraça os meus problemas. Deixei que fosse embora a pessoa que me deu respeito e me ofertou carinho, mesmo quando eu sabia que não merecia um terço do que recebia. Ela tinha lá seus defeitos, mas quem não tem? Todos eles eram encantadores, mas não maiores que suas qualidades. Mas ela errou também. Errou por ter acreditado que um cara como eu pudesse ter uma segunda chance. Vacilou por ter achado que poderia me fazer mais homem, enquanto eu me divertia sendo menino na vida  e homem na cama. Meu harém não tem nenhum exemplar dela e, mesmo tendo mil ao meu lado, eu sinto falta de só uma que, um dia eu tive nas mãos, mas não soube valorizar. Eu sinto falta dela, por que sei que ela não vai voltar.

(Marílya Caroline)

Recado da Blogueira

Amorecos, 2013 já começou com tudo. Estou "curtindo" minha última semana de férias, enquanto não volto à rotina da faculdade, e tenho uma novidade pra vocês: recebi um convite super legal esses dias, pra assinar a coluna de um site local. Bom, né?! É uma forma de divulgar o meu ponto de vista, fazendo o que eu adoro. Segue o link, no final do post, pra vocês acompanharem e curtirem comigo, tá?! Tem o estilo um pouco mais formal que o bloguito, mas espero que gostem. Além disso, meu irmão deu a ideia de criar uma fan page pra gente manter contato e compartilhar ideias, textos e vocês ficarem ligadinhos no que eu posto. Curtam, por favor! Prometo não abandonar nenhum dos projetos e conciliar tudo com a rotina puxada da facul. Beijo grande a todos e conto com vocês!




domingo, 27 de janeiro de 2013

Tragédia de Santa Maria - RS. Tragédia de todos os dias.


Por mais que informar seja a função da mídia, creio que o sensacionalismo e a busca por saber o que aconteceu através dos sobreviventes da tragédia de Santa Maria - RS, que já estão fragilizados demais pelo que vivenciaram, podem ser substituídos por medidas de prevenção. É doloroso? Sim, mas pode acontecer mais vezes. Sabe o porquê? Por que o Brasil é o Brasil! E a gente só entende a dimensão de um problema quando a dor vem nos mostrar. Não é o primeiro e, infelizmente, não será o último.Por que fechamos os olhos para outras tragédias, como a seca, e fingimos que também não são nossos irmãos? Por que não nos preocupamos em cobrar medidas preventivas, ao invés de meios de "mastigar" o problema até ele ser esquecido e virar estatística? Por que não damos mais valor à vida quando ela ainda pode nos mostrar que algo está errado? Hoje, perdemos 245. Todos os dias, perdemos milhares. E nada vai ser feito! Lágrimas e luto não resolvem a ferida de uma nação que compra o que a mídia vende e chora pelo que acha que deve, enquanto cruza os braços até que aconteça com alguém próximo. Até que aconteça com você!

(Marílya Caroline)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


A Deus, entrego os nossos planos. A você, o meu adeus.

(Marílya Caroline)

#oditoeonãodito


- Afinal, o que você quer de mim?
- Mais do que eu quis com todos os outros.

(Marílya Caroline)




- Bateu saudade...
- De quê?
- De tudo. Do dito e não dito, principalmente.
- Tá me pedindo pra voltar?
- E se estiver?
- Tô te implorando pra reaprender como fazer isso...

(Marílya Caroline)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Espaço Externo



Para escrever tem que ter disciplina. Escrever não é inspiração divina ou coisa parecida. A gente sofre da Síndrome da Página em Branco. Te julgam, criticam, azucrinam. Escritor é uma criatura estranha. A gente não enriquece, não é uma vida glamourosa, dá muito trabalho e dor de cabeça. A gente acaba virando um solitário, agarrado nas palavras para não sufocar. E dói. Dói porque é necessário colocar pra fora coisas que a gente queria esconder. Dói porque os outros acham que a gente é aquilo que escreve. Dói porque nem sempre entendem o teu texto, a essência da tua página cheia de letras. D.Ó.I

Para escrever tem que ler. Ler muito. Ler jornal, revista, livro. Ler aquilo que a gente não gosta. Tem que observar os outros. E os nossos silêncios. Para escrever tem que entender que um blog não é diário. Não é a tua vida entre as linhas. São vidas inventadas, é ego, id, superego. É a vizinha, a mãe, a filha, a irmã. É o desconhecido. É o espelho, é o fundo, é o avesso.

Para escrever tem que entender que ter um blog não é ser escritor. É saber que o caminho é difícil, cheio de lama, areia movediça e limo. E mesmo assim sentir que vale a pena. É abrir mão, é fazer sacrifício, é seguir a intuição, o instinto. É sangrar. E se recompor. É entender que ninguém te ajuda, ninguém dá a mão, ninguém dá auxílio.

Como eu comecei a escrever? Escrevendo. Lá pelos sete anos. Eram cartas, bilhetes. Coisas profundas. Cresci e fui me aprimorando. Melhorando. Evoluindo. Escrevia em blocos, cadernos e ficava tudo na gaveta. Em 2005, resolvi abrir as gavetas e criar um blog. Ele começou a ser lido, acessado. Eu comecei a gostar de ser lida. E comecei a escrever mais e mais. Não tenho parente famoso, não sou casada com celebridade, tampouco sou milionária. O blog foi uma ferramenta de divulgação.

Briguei com muita gente pelo que eu queria. Só não briguei comigo mesma. Pra escrever eu precisava da minha melhor amiga. E ela sou eu. Fui atrás dos meus objetivos, mesmo o mundo achando que não ia dar certo. Fiquei até contra meus pais, pois eles queriam que eu terminasse logo a Psicologia. Mas desisti. Fui para o Formação de Escritores e Agentes Literários, na Unisinos. Me formei. Antes disso, comecei a trabalhar com redação publicitária.

Como publiquei o primeiro livro? Coloquei meu original embaixo do braço e bati na porta das editoras. Assim mesmo. Sem indicação, sem amigo influente, sem nada. Procurei editoras no Google. Mandei emails, fui na cara dura mesmo. Enviei originais pelo correio. Recebi muitos nãos. Passei dois anos recebendo nãos. E eles me deixaram mais forte. 

Em 2010, lancei Um Pouco do Resto por uma editora que trabalha com impressão sob demanda. Em 2011, lancei O amor é poá. Publicação independente. Em 2012, lancei Para todos os amores errados pela Editora Gutenberg. Tenho mais projetos. Faço freelas. Me dedico 100% aos meus livros, textos, ao clarissacorrea.com, à minha coluna Confusões e Confissões, àColeção Clarissa Poá e a outros projetos que ainda não posso divulgar. 

Não é fácil. Mas foi isso que escolhi. Faço com amor. E sou da opinião clichê ao cubo que se a gente faz com amor vale a pena. E valeu, vale e valerá.

(Clarissa Corrêa)

Posso dizer? Sou fã! Além dos pensamentos e do "jeito" de escrever, ainda temos a Psicologia em comum. Espero, um dia, chegar onde você chegou! #diva #babomesmo #inspiração

Carta de recomendação


Você sabe que eu nunca soube lidar com quases. Se não sabe, a falha é minha. Falha ou qualquer coisa que você queira entender como um bloqueio, que me impede de me revelar por inteiro a qualquer forasteiro que ouse invadir a minha vida, como se não precisasse de carta recomendação pra isso. Você rasgou a sua ou tem medo de me mostrar. Talvez não queira ou não tenha uma, é simples. A verdade é que eu tenho muito medo de descobrir quem você é, mas não tanto quanto descobrir que eu estou apaixonada pelo que acho que você pode ser e isso é perigoso demais. É fatal pra alguém como eu, que não sabe se alimentar de incertezas e morre de medo de ter indigestão afetiva. E o meu medo de arriscar e atirar no escuro é quase tão grande como o de assumir pro espelho que eu posso ter falhado quando tive que me proteger. Você é uma dessas pessoas que aparecem sem referência nenhuma. Eu não sei do seu passado e o presente são algumas pistas que você deixa e que não levam a lugar nenhum. Ao contrário de você, já percorri todas as rotas da minha incerteza e todas elas me dizem que é perigoso arriscar, mas eu estou perdendo o medo. Se não o medo, a covardia. E isso tem me levado a pensar que pode ser você. Pode ser você pra tantas coisas, inclusive pra me machucar. Pode ser o meu primeiro namorado ou o primeiro cara que me fez assumir para as amigas que o desapego tem deixado de andar comigo. Não vou colocar uma cerca elétrica em minha volta. Descobri que o meu maior medo não era de que alguém invada, mas descobrir que ainda existe quem ultrapasse e de não saber lidar com isso. Adotar o não é ter medo do sim. E eu nunca disse isso pra homem nenhum... Não completamente. Talvez não seja medo de que você me faça sofrer, mas é que eu não estou acostumada a deixar alguém me fazer feliz e isso ameaça a tão falada zona de conforto em que eu acomodei meu coração. Tá sem cercas, sem grades ou qualquer coisa que ameace te machucar, mas só um pedido: se não for pra ficar, não precisa pular.

(Marílya Caroline)

Tudo ou nada


Conte-me os seus segredos, mas não me faça ser um deles. Não se envolva comigo se não tem intenção de lembrar do meu número amanhã, pra saber se estou bem e dizer que sentiu saudade do meu cheiro na tua roupa e do meu sorriso, na tua mente. Não seja nada do que você não quer ser nos dias que seguem os que passaremos juntos. Não prometa o que não pode cumprir e não me fale de amor, antes de saber o que é isso. Eu sou carente, menino. E esse jogo que você propõe é perigoso demais, incerto demais, tentador demais. Tudo que é demais me dá medo quase na mesma proporção que me dá prazer. Você sabe disso. Você sabe como mexer comigo e brinca de me fazer feliz, sem saber que eu vou te cobrar isso todos os outros dias, até porque, ultimamente, ninguém tem sido tão bom em me cativar. E você faz isso sem me prometer aliança ou pacto de fé. Você faz isso sem que eu saiba se vou poder contar com você quando a barra pesar ou, simplesmente, quando o dia amanhecer e tudo que é novo chegar. Será, menino, que você veio pra ficar? Será que você não é só uma dessas pessoas que a gente conhece e vai embora, sem dar tempo de dizer o quanto seria bom ficar? Ficar aqui, ficar comigo. Fazer de mim mais do que passagem e promessas... Ancorar na minha vida, na minha rotina. Seria bom se você pudesse pousar no meu coração e me dar aquela certeza boa que mantém os casais mais bonitos que eu conheço. Tantas coisas cintilariam nossos dias e tantos sonhos deixariam de existir durante a noite pra compôr os meus dias, mas você não precisa saber disso. Você não tem que saber dos meus planos, sonhos e devaneios, se não quer fazer parte deles. Você não precisa dizer que sim, se é mais confortável dizer que não ou saiba melhor dizer talvez. Você não precisa mergulhar no que há de mais profundo da minha alma, mas não pode demonstrar medo de tentar. Covardia me assombra. Insegurança me faz querer parar. 

(Marílya Caroline)