quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Rotina


Até parece que, se você tivesse me ligado, teria mudado alguma coisa. Você me perguntaria o que fiz durante o dia e eu responderia a mesma coisa de sempre. Não sei porque você ainda pergunta, se sabe mais da resposta do que sobre você mesmo. E eu te diria como anda a minha rotina agitada, na faculdade, e que estou estressada por tudo isso. Você me convidaria pra sair e eu inventaria mil desculpas esfarrapadas... aquelas que você também já conhece. Você venceria  e eu tentaria, a todo custo, reverter o placar. Eu perguntaria como foi seu dia e você tentaria, mais uma vez, não falar muito de si mesmo. Mistério é teu sobrenome e, quanto a isso, eu não poderia tentar mudar. Eu sei que é jogo perdido. Daí você pagaria a conta, elogiaria a minha roupa e, mais uma vez, seria ponto pra você. Anos de intimidade e você ainda consegue me tirar do prumo. Seria bom ver o entardecer contigo, falar de coisas banais e dividir contigo a minha rotina. Você sabe que eu não teria novidades, mas ainda assim insiste em perguntar por elas. Eu responderia, de novo, que a minha novidade sempre vai ser você. Você, pra me amar quando eu menos mereço e quando eu mais preciso. Você, pra romper o meu silêncio e ultrapassar as minhas barreiras. Você, pra ser o homem que faria todos os outros que passaram pela minha vida sentirem inveja. Mas o telefone não tocou. E nada mudou por isso...

(Marílya Caroline)

"Minha amiga disse que o amor está no ar... Borrifei logo BOM AR, pra acabar com essa palhaçada"

(Autoria desconhecida)

Indecisão


Você precisa ir embora de vez ou desfazer as malas e ficar. O que me esmaga é esse não saber. Não saber se a rotina da casa te agrada ou se a saudade que você tem de mim não é maior que sua vontade de ficar. Me esmagam todas essas incertezas que norteiam nosso "bom dia". É ruim não saber se vou contar com seu beijo de boa noite ou se vou ter que apelar pra alguma música melosa, até conseguir dormir. Não saber se você vai voltar pro jantar ou vai sair por aí, à procura de quem também se perdeu de um outro alguém. Por um longo tempo, me mutilaram todos esses porquês. Você sempre foi a minha incerteza mais certa. Você continua sendo o mistério que eu insisto em desvendar e, mesmo que isso não aconteça, ainda vou tentar de novo e de novo e de novo. Mas ainda dói não saber quase nada sobre você. É ruim não poder fazer planos e ter que conjugar todos os nossos verbos no presente, por não termos a certeza de um futuro juntos. Sinto falta de você nos dias de chuva, no auge da minha tpm ou quando alguém me conta, com entusiasmo, como comemorou o último Natal ao lado de quem ama. Você nunca pousou na minha vida. Você nunca me deu garantias, ao invés desses presentes todos que tomam o teu lugar, na nossa cama. Jóias enfeitam o meu pescoço, mas você só sabe ornamentar a minha vida. E é por essas e outras que eu vivo cansada de esperar ou de não saber se você vai ou fica. Se você é meu ou se ainda tá tentando  ser só teu, pra poder se entregar. E eu te espero, a cada noite, como quem espera por um novo dia. Espero, te acolho e te afago como quem pede, silenciosamente, que você não tenha pressa em sair do meu abraço, pois é quando te sinto meu. Mas não dá mais. Não dá mais pra ver o café esfriar e a angústia bater. Não dá mais pra tentar ser a mulher desinteressada que eu não sou. Oito ou oitenta. Ou pousa ou voa. Me ame ou vá embora, mas não me peça mais pra te esperar voltar. Não me peça pra condicionar a minha vida em função de um talvez. Se você não sabe o meu valor, não é  a minha insistência que vai te mostrar. Você decide se permanece ou se vai embora, mas eu não te peço mais pra ficar.

(Marílya Caroline)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Finalmente


Caiu a minha ficha exatamente na mesma época em que também desabou todo o meu encantamento por você. Deixei de falar de desamor e mágoa aos quatro ventos. Parei de querer que meus amigos ouvissem, incansavelmente, o quanto você foi tolo e injusto ao me deixar escapar e correr pra bem longe, debaixo dos meus olhos. Não importa mais! E você vai saber disso através do meu silêncio, que engoliu todas as palavras bonitas que ecoaram, baixinho, no teu pé do ouvido. Me despi de todos os rótulos que me permiti vestir, enquanto estávamos juntos. Se fui tola, conivente ou passiva em nossa relação, já não importa. Nunca deveria ter importado. Deixei de mendigar afeto a quem sempre foi mais pobre que eu. Você não passa de um homem qualquer. Eu que cismei de te encher de qualidades, que você não suportou carregar... Deixou todas elas no caminho e eu fui descobrindo aos poucos que o homem da minha vida não passou de um babaca na minha história. E eu remoí tanto os nossos momentos. E eu aluguei tantos ouvidos  e derramei tantas lágrimas. Pra quê? Só pra descobrir que eu estou melhor sem você. Quem eu sou melhor sem você! Acabou. 

(Marílya Caroline)

Espaço Externo


Aos caminhos, entrego o nosso encontro e se tiver que ser, como tem que ser, do jeito que tiver que ser, a gente volta um dia.

(Caio Fernando Abreu)


*Por mais que falem mal do Caio, eu continuo sendo fã dele. Ah! Atire a primeira pedra quem não se identifica*

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Fragilidade


Eu vim só deitar no teu colo e sentir o teu cheiro, mais nada. Voltei porque sei que você me compreende, mesmo que eu tenha passado tanto tempo ausente. É pra você que eu vim falar sobre a minha vida e o que há muito tempo eu não tenho contado. É pra você, que eu sei que não vai me julgar. Hoje é um daqueles dias tristes, sabe?! Mas nem todo mundo precisa saber que eu estou assim e também tenho meus dias de fraqueza. Há quem acredite firmemente que eu não caio e, confesso, tem me custado muito pra me manter assim. Vim implorar um abraço, um afeto, um afago. Vim pedir pra você não me encher de perguntas, pois eu não me preparei pra nenhuma das respostas. Vim despida de certezas e cheia desse medo tolo de que nada dê certo. Eu só quero que você me olhe, daquele jeito que só você sabe, e me diga que tudo vai ficar bem. Mesmo que não fique, você ainda me faz acreditar que pode dar certo... Pode mesmo?

(Marílya Caroline)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Perigo à vista!


Eu acho que você deveria manter distância. Não sei bem se por você ou por mim, mas afaste-se. Eu tenho essa mania horrível de colocar uma placa como essa, em letras garrafais, bem na porta do meu coração, recepcionando que insiste em entrar na minha vida. Não é que não haja espaço, mas fica apertado. Eu sou folgada e gosto de tudo pra mim, sabe?! Não pense que é falta de educação ou coisa do tipo, mas previna-se! Eu já vi essa história se repetir algumas vezes. Você vem, eufórico, e tenta se encaixar em alguma brecha que eu [ainda] deixo. Mas não deveria. Não deveria por quê eu tenho o péssimo hábito de sufocar, em contato com alguém. Ou a mim ou a você, mas um dos dois sai perdendo. E você vai acabar me deixando aquela velha história pra ser lembrada e, mais uma vez, eu não vou saber em quem pôr a culpa por mais um "quase" fracassado. Não quero lembrar de você e ter que esquecer, pois não precisa ser assim. Você não me confunde e eu não te faço o mesmo. Você não me tira da zona de conforto e eu te poupo do desgaste de conquistar quem não quer ser conquistada. Eu sou minha, entendeu? E essa relação não acaba com meia dúzia de palavras e algumas doses de presença. Você pode até ter minha companhia, mas vai ter que se esforçar um pouquinho mais para que eu a queira do amanhecer ao anoitecer, sem que mude de ideia, ao meio-dia. Sou inconstante e você nunca vai ter de mim uma resposta certa, quando indagar o que quero ou no que estou pensando. Nessa correria, não deu tempo pra me definir. Inútil tentativa essa de me entender, se você chegou agora e pegou o bonde andando. Quero que você entre no jogo sabendo das regras, mas evite a sede de querer ganhar. Eu não sei lidar com perdas, ainda mais aquelas que me tiram o prumo e me deixam sem saber agir. É meio vergonhoso e dessa mania infantil eu não me libertei, mas não sei perder. Se alguém tem que rodar, que seja você! Eu não vou me preocupar em ter alguém pra dar satisfação, caso eu não queira responder as suas mensagens ou te encontrar, com cara de sono. Eu não vou ter que me culpar por não me permitir ou ter que admitir que, mais uma vez, que não abriu a guarda fui eu. Vou encontrando alguns defeitos, me apossando das tuas falhas e apostando no pessimismo pra dizer que eu não estou encantada por você, pois eu me conheço há alguns anos e sei que isso vai passar. Antes que me renda às justificativas, vou te mandar ir embora, sem ter passado da sala de espera da minha vida, onde eu deixei muitos outros. Muitos que, assim como você, não me fizeram ter a vontade de deixar entrar. Medo, covardia ou bloqueio? Sei lá. Mas ainda acho melhor você evitar!

(Marílya Caroline)

domingo, 9 de dezembro de 2012

Contigo


Você parecia ganhar o [meu] mundo quando nos guiava. E eu não tinha medo... Nem da velocidade, nem de não ter rumo. Eu sempre gostei de adrenalina, ainda mais por estar contigo e não saber, ao certo, para onde iríamos quando o dia amanhecesse. Você foi e continua sendo a minha incerteza mais certa, que dá rumo aos meus dias e caminho aos meus pés. Você parecia saber o quanto eu me sentia segura contigo e o quanto eu admirava esse teu jeito de não ter medo de nada. Eu sempre gostei disso. Você me deu asas, quando eu estava cansada do chão. Você foi o único homem capaz de me tomar pelo braço e me levar, sem que eu precisasse me preocupar qual a rota e em que direção o sol ia se pôr pra nós. Não importava e continua não importando. Tanto tempo se passou e você continua acelerando meu coração, a cada vez que a gente se encontra. As mãos geladas e o friozinho na barriga são os mesmos de quando te conheci, mesmo que hoje você me pegue pela mão e me mostre, a cada instante, o quanto eu sou tua, em nome do teu poder de conquista e não de um sentimento de posse. E sou tua sem medo de me perder de mim. E desfaço, todos os dias, a minha rotina só pra você me surpreender mais e mais, como vem fazendo nos últimos meses, dias, horas e segundos. Antes de você chegar, eu não tinha rima nem rumo. Antes de você chegar, eu tinha medo de qualquer pessoa que ousasse querer fazer parte do meu Mundo, mas você me levou até onde eu não poderia imaginar: você me levou até mim. Antes de te conhecer, eu também não sabia quem eu era. Você veio e eu me reconheci. Você me deu a mão e eu me apaixonei, sem medos, expectativas e cobranças. E, daqui pra frente, não vou ter mais medo de segurar a mão de alguém. Se você me der a sua, eu vou. Não importa o caminho, não importa o lugar. É só a gente colaborar um pouquinho e deixar o destino se encarregar. Eu te amo. Você me ensinou a te amar.

(Marílya Caroline)

Você não entende...


...Mas se coloca no meu lugar um pouquinho. Mesmo que você não pense e não sinta como eu, tente calçar os meus sapatos e trilhar o caminho íngreme que já trilhei, até esbarrar com você e desestruturar toda uma vida equilibrada e cheia de certezas. Não foi fácil, mas pra mim nunca foi. Eu nunca te pedi pra simplificar nada, mas bem que você poderia colaborar, sabendo que eu também tenho uma coração. Infelizmente, ele cismou de querer você. É por essas e outras que descumpro minhas promessas e quebro as minhas certezas, mesmo sem saber se você vai estar comigo amanhã ou vai encontrar um passatempo melhor em um desses lugares cheios de pessoas vazias que você vai... Você sempre acaba desconfigurando o que eu levei muito tempo pra programar. Você sempre acaba me deixando confusa, insegura e temerosa. Você sempre acaba sendo menino, quando eu insisto em te pintar de homem, mas você não entende. Nunca entendeu...

(Marílya Caroline)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012